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O berço da Inconfidência

A ascensão e a queda do ciclo da mineração são contadas em cada pedaço da linda Ouro Preto

Ociclo econômico do ouro em Minas Gerais prosperou por quase todo o século 18, quando sua derrocada abriu espaço para um dos principais

movimentos libertários do período colonial: a Inconfidência Mineira. Todo ano, a cidade de Ouro Preto – antiga Vila Rica – celebra os inconfidentes, que queriam ver suas vilas livres da Coroa portuguesa. Insatisfeitos com a Derrama – cobrança violenta de impostos acumulados –, os integrantes do movimento libertário, entre os quais Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, não chegaram a ver a revolta prosperar. Traições e denúncias levaram parte dos participantes para a prisão, mas Tiradentes teve um destino mais cruel: no dia 21 de abril de 1972, foi enforcado publicamente e esquartejado.

Na semana do aniversário de morte do inconfidente, a capital mineira é transferida simbolicamente de Belo Horizonte para Ouro Preto, onde a pira da liberdade é acesa. O fogo ilumina a entrega da Medalha da Inconfidência, comenda criada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitschek para homenagear personalidades que ajudam a promover Minas Gerais. Além das solenidades, a Semana da Inconfidência tem uma programação com apresentações artísticas e manifestações culturais.

Primeira cidade brasileira a ser declarada patrimônio histórico e cultural da humanidade pela Unesco, em 1980, Ouro Preto é o destino central do Circuito do Ouro em Minas Gerais. Faz parte, ao lado de municípios como Sabará, Congonhas e Mariana, de um grupo de antigas vilas que se desenvolveram às custas da extração do metal. Até hoje, essas localidades respiram ares setecentistas, seja em suas construções e ruas, seja nas tradições ainda presentes.

A religiosidade do Barroco é um dos principais legados culturais da região. Em Ouro Preto, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, espalhou exemplares magníficos de seus trabalhos, feitos com pedra-sabão e madeira. Sua obra-prima é a Igreja de São Francisco de Assis. O artista esculpiu as peças da portada e dos púlpitos e foi o responsável pelo traço geral do prédio, altares laterais e capela-mor.

Outra parte do ouro saía das minas em direção ao Porto do Rio de Janeiro, onde embarcava rumo à Europa. Para escoar a produção de maneira mais segura e rápida – e por imposição da Coroa portuguesa –, foi aberta a Estrada Real, um complexo de rotas cercadas de montanhas, natureza, cultura e arte. Construídas nas muitas idas e vindas ao longo da história, as rotas hoje têm grande apelo turístico, ligando o Porto do Rio de Janeiro e a cidade de Ouro Preto pelos mais variados percursos. Com trilhas passando pela cidade fluminense de Paraty, além das mineiras Cunha, São João del Rei, Juiz de Fora, Barbacena e Diamantina, o projeto turístico Estrada Real foi reformulado em 2001 pelo Instituto Estrada Real, entidade criada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

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