Revista Elo

 Pavimentação




Rio é pioneiro em asfalto ecológico

Construtora Colares Linhares utiliza pavimentação à base de borracha modificada em obra de recapeamento da Rodovia RJ-122

Cerca de 310 mil toneladas de pneus velhos foram recolhidas por seus fabricantes no ano passado. Se não for reciclada ou disposta corretamente no lixo, a borracha presente nesse volume pode contaminar seriamente o solo e as re servas d’água, levando 400 anos para desaparecer da face da Terra. Uma disposição ecologicamente correta para esse material foi encontrada pela construtora carioca Colares Linhares. A empresa foi contratada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) para realizar o projeto de restauração do pavimento da Rodovia RJ-122. A via, que tem 35 quilômetros e liga Cachoeiras de Macacu a Guapimirim, é o primeiro projeto de pavimentação com asfalto-borracha in situ field blend do país. De acordo com Lincoln Aguiar, diretor-superintendente da construtora, a tecnologia, que incorpora localmente pó de pneus reciclados à massa asfáltica, foi importada dos EUA e adaptada ao clima e às condições brasileiras. “Esse processo in situ blend é feito in loco, e é a primeira vez que recebe um aditivo de 20% de pó de pneus. Retirar esses pneus do meio ambiente é algo muito importante, e somente com a utilização industrial é que conseguiremos de fato dar um destino em grande escala a esse passivo ambiental”, acredita Lincoln.

Segundo o diretor do DER-RJ, Angelo Monteiro Pinto, o asfalto-borracha do processo in situ proporciona uma massa com alto coeficiente de atrito, garantindo estradas mais seguras e silenciosas, além de possuir uma vida útil cerca de 60% maior que a pavimentação normal.

Para realizar o projeto, foi preciso construir uma usina de fabricação de massa asfáltica no local. O empreendimento contou com uma equipe de 120 funcionários e um laboratório desenvolvido pelo DER-RJ. A construtora, por sua vez, importou uma máquina misturadora específica para preparar localmente o asfalto-borracha. “Quando as concessionárias começarem a fazer a conta, vão ver que vale a pena o novo
produto, principalmente pela redução de consumo de massa asfáltica na obra”, afirma o diretor de Operações da empresa, Luiz Wagner.

Fabricação

A necessidade de produzir um ligante localmente é para evitar a vulcanização da borracha, que ocorre quatro horas após ela ser misturada com o asfalto quente. Hoje existem também bons trabalhos no Brasil com asfalto-borracha de baixa viscosidade, mas com esse produto só podem ser obtidas massas densas e lisas.

O processo in situ proporciona uma massa com alto coeficiente de atrito e também estradas mais silenciosas, dando mais segurança e qualidade de vida aos usuários e à população do Rio de Janeiro. “Se não houver uma grande capacitação da equipe de construção e de bons laboratórios de controle tecnológico, é melhor não fazer o asfalto-borracha modificado in situ, porque essa tecnologia requer muitos detalhes”, afirma Angelo Pinto, diretor do DER-RJ.

Máquinas CAT

A Colares Linhares comprou 17 equipamentos novos da Caterpillar. Entre eles, escavadeiras hidráulicas 320D, motoniveladoras 120K, rolos compactadores CS533E e CP533E, retroescavadeira 416E, rolos de asfalto CB434D e a vibroacabadora de esteira AP555E. A maioria dos equipamentos opera na terraplenagem. Para a restauração do pavimento, a empresa utilizou os rolos CB434D e a acabadora Caterpillar AP555E, importada dos Estados Unidos exclusivamente para a realização do empreendimento. Segundo Luiz Wagner, a vantagem da acabadora é que ela possui sensores eletrônicos e está equipada com o ski de nivelamento Fore ‘N Aft, acessório que corrige as depressões do pavimento, evitando, assim, ondulações no asfalto. “Além disso, ela possui extensão de mesa de 6,15 metros e se move por meio de uma esteira de borracha que proporciona grande mobilidade no deslocamento”, diz Luiz Wagner. Outra característica é que a mesa tem aquecimento elétrico, garantindo uma operação uniforme e constante ao longo da jornada de trabalho.

O equipamento garante mais sustentabilidade ao projeto, uma vez que possui um motor modelo C4.4 com tecnologia Acert. Com um gerenciamento preciso de mistura combustível-ar, a máquina atende a todas as exigências Tier 3 de emissões de poluentes.

Veja a revista completa:
download revista elo

Comments are closed.