Gestão de combustível aumenta produtividade
Medidas simples evitam a contaminação do diesel e são essenciais para o bom funcionamento dos equipamentos
Quando há queda no desempenho de um equipamento, é comum o cliente pensar que há problemas mecânicos ou elétricos.
A equipe de manutenção é chamada, mas não encontra defeito algum. Nesse processo, perdem-se tempo, produtividade e, o mais importante, dinheiro, uma vez que a máquina fica parada para a avaliação dos técnicos. Não raro, o problema pode estar no combustível utilizado. Mesmo que o produto seja de procedência conhecida, é possível que ele esteja afetando a performance das máquinas por contaminações oriundas do mau acondicionamento e transporte dentro da área. “Hoje o cliente desconfia do equipamento e, somente após uma segunda análise, da qualidade do combustível adquirido. A causa da contaminação pode estar no transporte e manuseio desde o fornecedor até o abastecimento”, aponta Daniel Alves Andrade, consultor de vendas SOS, setor responsável pelas análises de fluidos (óleos, lubrificantes e líquido de arrefecimento) da Sotreq.
Na Região Norte do país, por exemplo, é frequente a contaminação por água, já que muitas vezes o produto é transportado por balsa nos rios. Mineradoras também correm riscos, pela alta concentração de poeira no ambiente. A empresa que adquire o diesel a granel em postos de combustíveis também deve ficar atenta, principalmente se não conhecer os procedimentos de armazenamento do estabelecimento. Andrade alerta que a contaminação pode ocasionar danos sérios nas bombas e unidades de injeção: desgaste precoce de componentes, perda de potência, entupimento, emperramento, corrosão e queima irregular do combustível. Há até equipamentos mais modernos, com controles eletrônicos, que nem sequer entram em funcionamento se o diesel é de baixa qualidade. “Geralmente é necessária a troca das peças danificadas ou até mesmo a substituição completa dos componentes do sistema de injeção. Além disso, o mau combustível causa os mesmos problemas nos motores, o que pode diminuir o tempo de vida esperado ou levar até a uma falha catastrófica”, afirma.
Por se tratar de casos pontuais, é um tanto complicado mensurar o prejuízo que esse acondicionamento inadequado pode ocasionar. Porém, Andrade afirma que os responsáveis pelos equipamentos que ainda vão investir em melhores condições de armazenamento podem efetuar uma comparação dos gastos no que se refere a problemas nos sistemas de injeção antes e depois dos investimentos, ou mesmo verificar o aumento da disponibilidade dos equipamentos devido à diminuição das paradas não programadas. “Atualmente, os gastos com combustível representam 40% do total de uma obra.”
Outro ponto a ser destacado é o risco de agressões ao meio ambiente. Um vazamento em um tanque subterrâneo, por exemplo, pode causar a contaminação do solo e até mesmo do lençol freático.
O QUE É CERTO?
Segundo Andrade, com a adoção de ações simples na rotina, o risco pode ser facilmente eliminado. “É preciso cuidar das instalações da oficina, caminhões, tanques e mangueiras porque, em qualquer um desses locais, água, poeira, partículas e outros contaminantes podem se misturar ao diesel”, diz.
Para evitar a contaminação, os tanques de armazenamento e transporte devem seguir alguns requisitos, como uma limpeza completa antes de sua utilização. “Eles devem estar livres de resíduos de fabricação e devem ser tratados com uma camada protetora ou selante que seja compatível com o tipo de combustível que vão armazenar”, afirma. Segundo Andrade, cada tanque é fabricado com normas e especificações que precisam ser seguidas à risca, pois isso diminui a probabilidade de vazamentos.
Veja dois exemplos:
API Standard 620 – grande, soldado, para armazenamento com baixa pressão.
API Standard 650 – tanque soldado para armazenamento de combustíveis.




