Fox Minas inova em supressão vegetal
Eempresa mecaniza um trabalho que sempre foi realizado manualmente na amazônia
A Fox Minas Construtora, com sede em Belo Horizonte/MG, é a empresa responsável pelo trabalho de supressão vegetal na área da Floresta Amazônica onde serão construídas duas das maiores usinas hidrelétricas do Brasil: Jirau e Santo Antônio, às margens do Rio Madeira, a cerca de 150 quilômetros de Porto Velho/RO. A área que será aberta terá 20 mil hectares, ou seja, 20 quilô- metros quadrados.
"Supressão é a retirada da mata de forma susten- tável, a partir de uma metodologia apresentada pelo cliente, que, por sua vez, deve estar de acordo com as exigências ambientais e trabalhistas", explica o diretor comercial da Fox, Wagner Fraga. "Durante todo o tempo, os órgãos de meio ambiente, Minis- tério Público e Ministério do Trabalho acompanham e vistoriam o trabalho para garantir o cumprimento das normas, levando-se em conta o menor impacto ambiental e a recuperação das áreas degradadas."O trabalho na Usina Santo Antônio começou em maio de 2010 e deve ser concluído em outubro deste ano, enquanto o da Usina Jirau foi iniciado recentemente.
Fraga explica que a supressão exige uma atuação minuciosa e que apresenta alto grau de dificuldade. "Sempre atuamos em regiões sem infraestrutura médica, fluvial e sanitária. É preciso preparar tudo, desde mobilização de equipamentos, canteiro de obras, oficinas, poços artesianos, cozinha, aloja- mentos e ambulâncias para o caso de emergências. A preparação é tão complexa quanto a supressão propriamente dita", conta. O diretor administrativo da Fox, Flávio Xavier, destaca o desafio extra da empreitada em Rondônia. "Além de áreas de igarapés, que dificultam o acesso de homens e máquinas, nossa equipe se depara frequentemente com animais de pe- queno e grande porte", relata.
O plano de trabalho da Fox não poupa esforços para minimizar riscos para a fauna, o solo e os recur- sos hídricos, além de proceder o aproveitamento dos recursos florestais resultantes da supressão. Xavier diz que os empecilhos técnicos mudam de acordo com o surgimento de árvores que variam de tipo e tama- nho: "Elas vão de 40 centímetros a 2 metros de diâme- tro. Assim, o tipo de corte muda, exigindo diferentes modelos de equipamentos".
Hoje, a frota da empresa é composta por 220 má- quinas, incluindo veículos de corte, resíduos, arraste, transporte e empilhamento de material lenhoso. Cer- ca de 60% deles são Caterpillar, fruto de uma parceria com a Sotreq iniciada há três anos.
Neste ano, a Fox adquiriu garras traçadoras, fel- ler bunchers e escavadeiras com implementação de pinça. Para a execução de todas as atividades no complexo do Rio Madeira, a Sotreq oferece supor- te com a presença de mecânicos especializados. O estoque de peças fica na filial da Sotreq na capital, Porto Velho.
Um dos equipamentos da frota mais utilizados na obra é o feller buncher 541. Concebido para corte de árvores em florestas plantadas, ele está sendo usa- do pela primeira vez em floresta nativa. A utilização pioneira não exigiu mudanças técnicas. O principal benefício do feller buncher é a mecanização de um tipo de corte que costumava ser realizado por mo- tosserristas. "Isso reduziu a quantidade de mão de obra e, consequentemente, aumentou os índices de produtividade e segurança no trabalho", afirma o consultor de vendas Luiz Alexandre Lopes. O feller também diminui de cinco para um dia o tempo de cor- te de toras de diâmetro maior.
O sucesso na supressão abre caminho para outro possível campo de utilização para o equipamento: o de manejo sustentável na coleta de madeira nativa. "A máquina permite a seleção de árvores a serem cortadas, ao contrário da poda geral, que corta tudo o que tem pela frente", conta Marcos Lima, consultor corporativo florestal da Sotreq.
É exatamente nessa ampla e diversificada frota que reside a principal inovação da Fox: a empresa é pioneira em supressão mecanizada de mata nativa, em geral realizada de forma manual. Atualmente, o trabalho feito em Rondônia é 70% mecanizado. "Além do ganho de tempo e produtividade, a mecanização elimina parte da mão de obra braçal, fato positivo em termos de segurança", ressalta Fraga.
Ele conta que na supressão não se faz corte seleti- vo, como as madeireiras que buscam tipos específicos de árvores. "Nosso trabalho também visa à preserva- ção do meio ambiente, ao menor impacto ambiental e à recuperação do solo. Uma das preocupações, por exemplo, é o não derramamento de óleo. Além disso, limpamos o terreno de forma ecologicamente respon- sável, garantindo a destinação correta do material lenhoso para reaproveitamento e dos resíduos para recomposição de áreas degradadas", explica Wagner Fraga. "Todos os funcionários são treinados para se- guir essa metodologia." Segundo Flávio Xavier, esse trabalho de sustentabilidade é executado dentro das condicionantes ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Com o término da obra, toda a área que não servirá como reservatório de água das usinas será reflorestada, reconstituindo, assim, parte do terreno que passou pela supressão.
COMPLEXO HIDRELETRICO
Com quase 1,5 mil quilômetros de extensão, o Rio Madeira banha Rondônia e o Amazonas. Nele está sendo construído o complexo hidrelétrico formado pelas Usinas Jirau e Santo Antônio, ambas de grande porte. Juntas, terão 6,6 mil MW de potência.
O espelho d’água a ser formado terá 271 quilôme- tros quadrados, 60% da própria calha do rio e 40% oriundo de novas áreas inundadas.
O reservatório da Usina de Jirau terá quase 260 quilômetros quadrados, e sua capacidade será de 3,45 mil MW. A previsão é que opere a plena carga em 2016. A cerca de 40 quilômetros de Jirau ficará a Usina Santo Antônio. Serão 44 turbinas, capazes de gerar 3,15 mil MW aproveitando a vazão do rio no local, de 47 mil metros cúbicos por segundo.




