Offshore e transporte hidroviário em alta

Offshore e transporte hidroviário em alta

 

Mesmo em tempo de crise, multinacionais investem em equipamentos Cat® e mantêm projetos

Por Bruno Cirillo
 

A Cargill, uma das maiores exportadoras de soja do País (28 milhões de toneladas em 2015), está prestes a inaugurar um novo terminal portuário no Pará, com capacidade para o embarque anual de 3 milhões de toneladas de grãos. As embarcações do novo terminal de Miritituba, que dá acesso hidroviário ao Porto de Santarém (PA), por meio do rio Tapajós, estão a postos para entrar em operação até o fim do ano. Para a Sotreq, responsável pelos motores e geradores Cat ® instalados nos empurradores da operação, é também o primeiro contrato de monitoramento de frota marítima no País.

Como linha produtiva, a operação da Cargill começa no Mato Grosso, onde se colhe a maior parte dos grãos produzidos no Brasil. O produto é transportado por caminhões pela BR-163 (Cuiabá-Santarém), aberta em 2014, até o terminal de Miritituba (PA). A partir dali, as cargas são embarcadas e transportadas pela água, rumo ao norte, até Santarém. De lá podem ser exportadas para a China, que consome aproximadamente 80% da soja brasileira, passando pelo Canal do Panamá ou o Cabo da Boa Esperança.

Nos últimos anos, a Cargill trabalhou com a Sotreq para tornar possível essa via de exportação – atualmente a mais importante do agronegócio – utilizando tecnologias  Cat® na motorização dos empurradores fluviais. “Depois de procurar uma série de fornecedores, escolhemos a Sotreq porque ela entregava motores com custo-benefício e suporte adequados para a região amazônica”, disse a ELO o diretor de Transportes da Cargill, Rodrigo Koelle. “O pacote de produtos e serviços oferecidos pela Sotreq foi escolhido pela equipe de compras, que avaliou uma série de ofertas”, acrescentou.

No projeto com a Sotreq, a Cargill adquiriu seis motores de propulsão e seis grupos-geradores, de diferentes modelos da Cat®, instalados nos dois comboios fluviais e no empurrador que será responsável pela baliza das cargas no terminal de Muritituba. “A operação será completamente monitorada. O cliente receberá diagnósticos contínuos sobre o funcionamento da frota e assim poderá fazer as manutenções na hora certa”, afirmou o consultor Daniel Andrade, especialista da Sotreq no mercado marítimo/fluvial. Ele acompanhou o projeto da Cargill desde o início, em 2013, e garante que a empresa terá acesso permanente às informações emitidas pelo CAT AI (Asset Inteligence), sistema que monitora dados como as condições de navegação, temperatura, situação do motor e outros parâmetros com impacto nas operações hidroviárias. “Esse é o nosso primeiro projeto de monitoramento e controle de frota marítima no Brasil”, destacou Daniel.

Alto mar

A 3,5 mil quilômetros de distância de Santarém, no Porto de Santos (SP), um estaleiro vem lançando embarcações de proporções inéditas em alto mar, apesar da crise provocada, em parte, pela queda internacional no preço dos barris de petróleo. O estaleiro da multinacional inglesa Wilson Sons, uma das mais importantes companhias de offshore do mundo, acaba de entregar sua maior embarcação já construída no Brasil. A embarcação LARUS, com capacidade para levar 5000 mil toneladas de carga às plataformas de petróleo em alto mar, está em operação desde junho, com grupos-geradores diesel elétricos Cat®. Outra embarcação do mesmo porte, destinada ao transporte de insumos para as plataformas de petróleo no litoral sudeste, deve entrar em operação até o fim do ano.    

“Não é o nosso primeiro PSV (platform supply vessels, ou plataforma de apoio), mas é o primeiro com capacidade para cinco mil toneladas – os outros podiam com 4,5 mil toneladas, que é o mínimo exigido pela Petrobrás. Queríamos oferecer um diferencial, considerando que os poços de petróleo estão longe da costa: quanto maior a capacidade das embarcações, melhor para o armador. Hoje em dia, a competição está acirrada”, disse a ELO o diretor do estaleiro da Wilson Sons, Adalberto Souza. O armador do novo PSV5000 é a Wilson Sons Ultratug Offshore, braço da mesma multinacional. A empresa espera a entrega, até o fim do ano, do segundo LARUS PSV5000, que está sendo construído pelo mesmo estaleiro.

A geração elétrica de cada uma das plataformas marítimas se deve a quatro Grupos Geradores Diesel Elétricos Cat® e um Grupo Gerador de Emergência, utilizado quando as embarcações estão atracadas. “Com esses equipamentos robustos, a energia é gerada a bordo, alimentando motores elétricos. Eles têm um alto índice de conteúdo local (60%), com a linha de montagem em Piracicaba (SP). Quanto maior o conteúdo local, menores são as taxas de financiamento, devido aos estímulos do governo”, comenta o consultor Eduardo Magno, da Sotreq, que  atende a Wilson Sons há dez anos. Segundo ele, a companhia mantém mais de 90 embarcações em atividade no litoral brasileiro.  

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